A vice-presidente já havia sido fotografada com Netanyahu, mas apareceu sozinha, com uma mensagem que se afastou um pouco da linha do presidente americano, Joe Biden, com uma maior empatia pelo sofrimento palestino. “Expliquei ao primeiro-ministro minha grande preocupação com a escala do sofrimento humano em Gaza, incluindo a morte de um número excessivo de civis inocentes”, declarou a vice-presidente. “O que aconteceu em Gaza nos últimos nove meses, essas imagens de crianças mortas e pessoas desesperadas fugindo, algumas pela segunda, terceira ou quarta vez…. Não podemos olhar para o outro lado diante dessas tragédias, não podemos nos dar ao luxo de ser insensíveis ao sofrimento”, acrescentou.

Kamala Harris também expressou solidariedade em relação aos reféns israelenses em poder do grupo islâmico Hamas e, em especial, àqueles que também são cidadãos americanos, cujos nomes citou um a um. No que parecia ser um apelo aos eleitores americanos, ela pediu um esforço para entender que o conflito de Gaza não é binário (mocinhos e bandidos) e que é preciso “entender a complexidade e as nuances da história da região” e, portanto, pediu a “condenação do antissemitismo, da islamofobia e de todos os tipos de crimes de ódio”.
Entre os sinais de que mostrou um novo tom em relação a Israel, na quarta-feira Kamala foi a grande ausente (como presidente do Senado, ela foi convidada) no discurso de Netanyahu ao Congresso dos EUA, no qual ele defendeu a manutenção da guerra contra o Hamas até a “vitória final”.
Pouco antes de se encontrar com Kamala, o premiê israelense se reuniu com Biden no Salão Oval da Casa Branca e, em seguida, ambos os líderes se encontraram com as famílias dos reféns mantidos pelo Hamas em Gaza. De acordo com o governo dos EUA, o principal objetivo de Biden é pressionar Netanyahu a chegar a um acordo com o Hamas nas próximas semanas que permita uma trégua em Gaza e a libertação dos reféns, um objetivo que também foi reiterado por Kamala Harris.
*Com informações da AFP e EFE/JP