Cultura
NÃO DEU OUTRA > Ainda Estou Aqui vence Oscar de melhor filme estrangeiro
Agência Brasil
O cinema brasileiro fez história na noite de hoje (3) na 97ª edição do Oscar, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, foi o grande vencedor na categoria de melhor filme internacional. Uma conquista inédita para o cinema brasileiro.
O filme brasileiro superou Emilia Pérez (França), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha), A Garota da Agulha (Dinamarca) e Flow (Letônia).
Walter Salles dedicou a conquista para Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva desaparecido na ditadura, cuja busca em saber o destino do marido norteou o roteiro do filme. Em seu discurso de agradecimento, o cineasta brasileiro também ressaltou os trabalhos de Fernanda Torres, e sua mãe, Fernanda Montenegro.
Indicado também para a estatueta de melhor filme, Ainda Estou Aqui perdeu para Anora, maior vencedor da festa com cinco estatuetas no total.
Fernanda Torres, indicada ao prêmio de melhor atriz, não levou a estatueta, que acabou nas mãos de Mikey Madison, de Anora. Mesmo assim Fernanda Torres entra na história do cinema repetindo sua mãe, Fernanda Montenegro, que foi indicada na edição de 1999 do Oscar como melhor atriz, mas a laureada foi a estadunidense Gwyneth Paltrow.
Clima de Copa do Mundo
A coincidência das datas da maior premiação do cinema com o carnaval brasileiro acabou em clima de torcida da Copa do Mundo. Máscaras de Fernanda Torres e de Selton Mello (intérprete de Rubens Paiva), fantasias da estatueta dourada do prêmio, boneco gigante de Olinda, entre outras referências ao Oscar, estiveram presentes em desfiles e blocos carnavalescos pelo país inteiro.
Com suas indicações, o filme de Walter Salles sobre o desaparecimento do deputado Rubens Paiva (1929-1971) e a saga de sua esposa Eunice Paiva (1929-2018) já chegou vitorioso à festa da indústria cinematográfica.
Especialistas consultados pela Agência Brasil disseram que, entre as qualidades do filme, estão a capacidade de abordar o passado de uma forma diferente e a maneira como a obra conseguiu dialogar com os tempos atuais.
O livro autobiográfico que nomeia o filme, de autoria de Marcelo Rubens Paiva, filho de Rubens e Eunice, foi para o topo das listas dos mais vendidos. O próprio caso Rubens Paiva ganhou novos desdobramentos recentemente. Por determinação da Justiça, em janeiro deste ano a certidão de óbito do ex-deputado foi corrigida. Na versão original do documento, ele foi tido como “desaparecido político”. Na nova redação, consta agora que sua morte foi violenta, causada pelo Estado brasileiro.
Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu analisar se a Lei da Anistia, adotada com o fim do regime de exceção, se aplica ou não a crimes de sequestro e cárcere privado cometidos na época da ditadura militar brasileira.
Os premiados nas 23 categorias foram:
Ator coadjuvante – Kieran Culkin, em A verdadeira dor
Animação – Flow
Curta-metragem animado – In The Shadow of Cypress
Figurino – Wicked
Roteiro original – Anora
Roteiro adaptado – Conclave
Maquiagem e penteado – A substância
Edição – Anora
Atriz coadjuvante – Zoe Saldaña, por Emília Pérez
Design de produção – Wicked
Canção original – El Mal, de Emilia Pérez
Documentário de curta-metragem – A única mulher na orquestra
Documentário – No other land
Som – Duna: Parte 2
Efeitos visuais: Duna: Parte 2
Curta-metragem em live-action – I´m not a robot
Fotografia – O Brutalista
Filme internacional – Ainda estou aqui
Trilha sonora – O Brutalista
Ator –Adrien Brody, em O Brutalista
Direção – Sean Baker, de Anora
Atriz – Mikey Madison, em Anora
Filme – Anora
CULTURA > FIRMINO ROCHA, O ORGULHO DA POESIA ITABUNENSE
Por Walmir Rosário*
Embora nunca tenhamos marcado qualquer encontro, religiosamente nos víamos, e sempre ao cair da tarde. Posso afirmar que nossos hábitos eram bem distintos em variados aspectos. Assim que terminava o expediente, eu o famoso operador de som da antiga Rádio Clube de Itabuna, Eliezer Ribeiro (Corpinho de Leão), nos dirigíamos ao Ita Bar para tomarmos um (uns) aperitivo(s).
Aos poucos, vislumbrávamos a figura do nosso personagem cruzar a rua que separava a praça Olinto Leone, onde morava, e embocar no beco em direção ao Ita Bar. Passava rente ao saudoso castelinho, com sua pasta de couro, daquelas que os vendedores viajantes utilizavam àquela época. No interior da pasta, nada de talões de pedidos ou prospectos de publicidades. Só poesias.
Pelo caminho o ritual diário era o mesmo: cumprimentava a todos com sorrisos, algumas frases de elogios, especialmente flores para as mulheres. Essa distinção era rotineira. As pessoas que ainda não o conheciam geralmente olhavam aquela figura com desconfiança, até serem informados e certificados que se tratava de Firmino Rocha, poeta, pessoa de bem, e para alguns com a cabeça nas nuvens.
A indumentária era a mesma: um terno surrado, voltado para a cor cinza, às vezes com gravata, bem frouxa no pescoço e a cabeça protegida por um chapéu de baeta. Sempre com um sorriso nos lábios. Se houvesse oportunidade, abriria a maleta e pegaria os papéis soltos ou o caderno e os mostraria, declamando uma das dezenas de poesias.
Ao chegar ao Ita, sentava-se num banco junto ao balcão ou à mesa diante dos convites. Luzia, a garçonete com anos de experiência e conhecimento dos fregueses, lhe servia uma cachacinha pura ou o famoso “leite de onça”, aperitivo da casa. Engrenava a conversa, apresentava seus novos trabalhos, desfiava versos de seus novos poemas.
Nascido em 7-6-1910, à época desses nossos encontros (1964-65 em diante), Firmino Rocha, diplomado em Ciências e Letras, pouco se preocupava com o academicismo e sim com o que lhe rodeava. E assim, rodava, ou rondava Itabuna ao cair da noite, visitando bares e lanchonetes, revendo os amigos, conversando ou declamando versos.
Quem recorda bastante de Firmino Rocha é o advogado Gabriel Nunes (ex-presidente da OAB de Itabuna), muitas das vezes dos encontros na choperia e lanchonete Model, na avenida do Cinquentenário. Para Gabriel, Firmino Rocha era um poeta que quebrou os tabus e padrões da época, com um estilo eminentemente conhecido como o modernismo baiano.
E numa das viagens aos Estados Unidos, Gabriel Nunes foi visitar a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), que exibe em seu hall uma bela homenagem a mais conhecida poesia de Firmino Rocha, “Deram um Fuzil ao Menino”, concebida por protesto à Segunda Guerra Mundial. “Assim que vi a mensagem me senti também celebrado, pois era um grapiúna como o amigo Firmino Rocha”, declara Gabriel.
Mas como o tempo é implacável, Firmino Rocha morre aos 61 anos (1º de julho de 1971), deixando parte de sua obra publicada em jornais de Ilhéus e Itabuna e singelos livros que editou. Mas quis o tempo preparar a reabilitação do poeta itabunense em 2008, por ação do professor Flávio Simões Costa, quando diretor-presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC).
Ao chegar a Itabuna em início dos anos 1960, o professor Flávio Simões foi um daqueles abordados pelo poeta Firmino Rocha, enquanto passeava com sua filha pela praça Olinto Leone. Em quase todas as tardes Flávio Simões ouvia os poemas de Firmino Rocha. Na FICC chegou a oportunidade de homenagear o poeta itabunense, editando o livro “Firmino Rocha – Poemas escolhidos e inéditos”, editado pela Via Litterarum.
O meu exemplar, autografado por Flávio Simões, é guardado como uma relíquia em local de destaque na minha biblioteca.
*Radialista Jornalista e advogado.
DERAM UM FUZIL AO MENINO
Adeus luares de Maio.
Adeus tranças de Maria.
Nunca mais a inocência,
nunca mais a alegria,
nunca mais a grande música
no coração do menino.
Agora é o tambor da morte
rufando nos campos negros.
Agora são os pés violentos
ferindo a terra bendita.
A cantiga, onde ficou a cantiga?
No caderno de números,
o verso ficou sozinho.
Adeus ribeirinhos dourados.
Adeus estrelas tangíveis.
Adeus tudo que é de Deus.
DERAM UM FUZIL AO MENINO
(Firmino Rocha)
BAHIA DA CULTURA > Na Bahia, estudantes desenvolvem canudo sustentável feito a partir do chocolate
Unindo preservação ambiental, criatividade e aprendizado prático, estudantes do Centro Territorial de Educação Profissional do Médio Rio de Contas, localizado no município baiano de Ipiaú, desenvolveram o projeto “Choconudo: canudo comestível de chocolate como estratégia para redução dos resíduos plásticos no meio ambiente”.
Criada por Ana Clara Santos Pereira e Ana Clara Santana Pereira, concluintes do curso técnico em Agroindústria, com a orientação das professoras Maysa Lobo e Rosilma Rodrigues, a iniciativa busca substituir os canudos plásticos descartáveis, grandes poluentes dos oceanos e ameaça à fauna marinha, por canudos comestíveis, feitos à base de chocolate ou frutas, que podem ser consumidos após o uso.
“Nosso objetivo foi desenvolver uma solução inovadora e funcional, sem gerar impactos negativos ao meio ambiente. A criação dos canudos exigiu diversas etapas de pesquisa e testes, buscando um produto que fosse, ao mesmo tempo, sustentável e atrativo para o mercado. Optamos pelo sabor chocolate como principal por ser amplamente apreciado e por ter relação com a nossa formação no curso de Agroindústria, que possui foco na produção do mesmo”, explica Ana Clara Santos.
Para o futuro, as estudantes pretendem ampliar o catálogo de sabores e aprimorar a durabilidade do produto. “Queremos desenvolver novas opções com sabores de frutas para agradar diferentes paladares. Além disso, estamos trabalhando para aumentar a conservação do canudo sem perder suas qualidades comestíveis, permitindo que ele se mantenha fresco e resistente por mais tempo, mesmo em ambientes quentes”, afirma.
(Luana Veiga /Alô Alô Bahia)
CULTURA > ‘O Auto da Compadecida 2’ alcança marca de 4 mi de espectadores nos cinemas
Em cartaz nas salas de cinema em todo o país, “O Auto da Compadecida 2” alcançou, esta semana, a marca de quatro milhões de espectadores. Com os números, o longa-metragem, que tem a direção de Guel Arraes e Flavia Lacerda, já supera o desempenho do primeiro filme, que levou 2,1 milhões de pessoas aos cinemas no ano 2000.
Com o desempenho, o filme se torna a segunda maior bilheteria nacional desde a pandemia. Atualmente, o filme está atrás apenas de “Ainda estou aqui”, drama de Walter Salles que levou até agora 4,16 milhões de pessoas aos cinemas.
A narrativa gira em torno de João Grilo, que volta a Taperoá após duas décadas. Ao retornar, ele é recebido como uma figura famosa, mas logo se vê envolvido em uma série de conflitos políticos.
Os atores Selton Mello e Matheus Nachtergaele retornam aos papéis de Chicó e João Grilo, respectivamente. O elenco também conta com a participação de Virginia Cavendish e Enrique Diaz. Além dos quatro, Taís Araújo, Eduardo Sterblitch, Humberto Martins, Fabíula Nascimento, Luis Miranda, Luellem de Castro e Juliano Cazarré também estão no longa.
Estreia no streaming
produção também ganhou, recentemente, data para estrear no streaming. No Brasil, “O Auto da Compadecida 2” chegará ao Prime Video da Amazon no dia 28 de fevereiro.
Com bahia.ba
ITABUNA-BAHIA > FICC realiza encontro para discutir o resgate das fanfarras no município
A Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), presidida por Aldo Rebouças, realizou hoje, dia 21, um encontro com Douglas Araújo e Aldení Ramos, agentes culturais do segmento das Fanfarras, para tratar do resgate e fortalecimento destes grupos musicais fanfarras em Itabuna. O encontro teve como objetivo central desenvolver estratégias para revitalizar essa importante expressão cultural que carrega tradição e identidade da cidade.
Entre as propostas discutidas, destacaram-se a reestruturação das fanfarras, a capacitação de novos músicos, a aquisição de instrumentos e a ampliação das apresentações em eventos cívicos e culturais. Durante a reunião, Douglas enfatizou o impacto das fanfarras na formação de jovens ena valorização da cultura local, ressaltando que o resgate desse movimento é essencial para Itabuna.
O presidente Aldo Rebouças reforçou o compromisso da FICC com a iniciativa: “As fanfarras têm um papel histórico na nossa cidade e trabalhar pelo resgate desse patrimônio cultural é uma prioridade. Queremos oferecer as condições necessárias para que essa tradição volte a emocionar e transformar vidas.”
O encontro gerou encaminhamentos importantes, incluindo a criação de projetos voltados à formação musical, a realização de eventos temáticos e a promoção de ações que levem as fanfarras aos bairros da cidade. A FICC segue empenhada em apoiar e valorizar as iniciativas culturais que fortalecem a identidade de Itabuna.
CULTURA > Baile do Menino Deus encanta e inspira gerações no Recife
O ano é 2004. No palco da Praça do Marco Zero, no Recife (PE), o Baile do Menino Deus, um Auto de Natal pernambucano, encanta os olhos do jovem Ellan Barreto. O garoto que, aos 11 anos, aprende os primeiros passos de break, se imagina cercado por todas aquelas luzes, pelos aplausos daquelas milhares de pessoas. Dentre elas, a família de sete irmãos e os amigos da comunidade em que nasceu e se criou, a Favela do Canal, no bairro do Arruda.
Vinte anos se passam e agora Ellan, com 31 anos, adota o nome artístico de Okado do Canal. Ele não saiu da comunidade e criou projetos artísticos voltados para a sua “quebrada”, o “Lado Beco”, com atividades de hip hop. O coletivo é PE Original Style. Agora, Okado, junto com seu grupo, estará do outro lado do Baile do Menino Deus, em cima do palco. O espetáculo gratuito será encenado de 23 a 25 de dezembro, às 20h. “As crianças vão sonhar em ter esse momento como a gente já sonhou lá atrás. E isso é uma forma também de salvar vidas”, afirma o artista.
Da plateia para os palcos: Ellan Barreto participa de cena com seu grupo de hip hop. Foto: Hans Manteuffel
Ele disse que conheceu a dança de rua pelos dançarinos mais velhos do bairro. “A partir daí, foi paixão à primeira vista”. Okado entrará em cena por volta da metade do espetáculo. “É importante que a periferia tenha essa representatividade”, diz. Afinal, o “Baile do Menino Deus: Uma Brincadeira de Natal” chega este ano à sua 41ª edição e é considerado o maior espetáculo natalino do país baseado na cultura brasileira, com mais de 300 artistas.
Identidade nacional
A encenação é vista anualmente por mais de 70 mil pessoas e exibida pelo YouTube. Os dramaturgos Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima, além do compositor Antonio Madureira, produziram um espetáculo com cantigas, danças, brincadeiras, costumes, rezas, figuras folclóricas e outras linguagens.
Ronaldo Correia de Brito entende que o espetáculo é uma celebração da identidade nacional baseada na representatividade dos povos. “O Baile é um espetáculo totalmente inspirado nessa riquíssima cultura brasileira”.
Ele testemunha que a tradicional encenação ajuda na formação de artistas e de público. “Há muitos adolescentes na plateia, que dançam, que cantam e choram”. O diretor disse que existe uma preocupação em trazer a tolerância religiosa. “Buscamos um sentido mais transcendente, menos materialista e consumista”.
O Baile do Menino Deus
O diretor afirma que a opção por uma orquestra popular, com berimbau de lata, rabeca e viola de arco traz um sentido de inclusão para o espetáculo, regido pelos maestros Spock e Forró. Neste ano, uma das estrelas é a cirandeira Lia de Itamaracá. “No espetáculo, há artistas dos mais eruditos e sofisticados a populares das periferias em uma harmonia perfeita. Hoje, a predominância é de pessoas negras”.
Na história, dois brincantes, os Mateus, levam o público, com um coro infantil formado por 12 crianças, à porta de uma casa onde estaria o Menino. Esse percurso emociona o ator Sóstenes Vidal, que interpreta um dos Mateus há 21 anos. “O personagem é dos folguedos populares nordestinos, do Bumba Meu Boi, do Cavalo Marinho. E essa adaptação junta o sagrado ao profano”, disse o ator. Entre as cenas que mais o emocionam, estão o momento em que o personagem fala dos brinquedos populares. Outro momento é uma cena final, que sempre lhe emociona.
“Eu engasgo de emoção”. No texto, está gravado na memória e no coração. “Senhores donos da casa, meninos desta folia, povo inteiro desta sala que assiste a nossa alegria…. Quando eu viro, eu chamo o povo inteiro desta grande sala, as milhares de pessoas que estão assistindo”.
E o baile continua…
Outra emoção que o ator terá nesta edição é que a filha, a atriz e dançarina Marina Vidal, de 21 anos, estará em cena como uma ciganinha. Ela está no palco dessa montagem desde criança. “Eu estou estreando como bailarina no espetáculo. Participei, desde os cinco anos como coro infantil. Estar no palco junto com meu pai é uma sensação maravilhosa”. Foram mais de três meses de ensaio.
Nem todo o ensaio do mundo é capaz de tirar do elenco a emoção dessa encenação a céu aberto. Mateus, o personagem em cena, desfia sua reflexão sobre a luta de cada dia. Como ele diz, o baile é a própria vida. “Continuemos o baile. O coração nunca esfria, quem dança os males espanta e o peito desanuvia. Continuemos o baile, agora e em cada dia”. (ag.brasil)
CULTURA > Teatro em 2024 tem onda de peças com globais e celebra a atriz Fernanda Montenegro
RIO DE JANEIRO, RJ E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Agora que ninguém tem mais contrato fixo, todo mundo diz ‘o teatro é minha casa’, o teatro está dentro de mim, nunca saí daqui’. Eu falo assim ‘pô, vocês estavam onde que eu não encontrava vocês?’”. A pergunta foi feita pelo ator e diretor Elias Andreato, numa entrevista, em agosto, por ocasião da estreia da peça “Memórias do Vinho”, com Herson Capri e Caio Blat. Em sua fala, Andreato atinava para uma tendência consolidada, neste ano, na cena teatral brasileira.
Em 2024, as salas de espetáculo se tornaram um lugar de redenção para artistas, que tinham os seus desejos artísticos atrelados ao calendário das produções da TV Globo, entre novelas e séries. Como a emissora seguindo encerrando os tradicionais contratos fixos com seu elenco, os artistas rumaram para os palcos, onde muitos aprenderam os urdimentos do ofício.
Por um lado, a tendência aumentou um fenômeno antigo: o teatro de celebridades, peças ancoradas na fama de atores. Por outro, constatou-se a presença genuína de profissionais que tiveram a carreira determinada pela arte teatral, voltando à ribalta.
É o caso de Antônio Fagundes e Christiane Torloni, que passaram a contracenar, a partir de setembro, como marido e mulher, na peça “Dois de Nós”. “A TV não é mais aquela de antigamente, que tinha um cartel de artistas contratados e que se apresentavam novela após novela. Onde esses artistas estão agora? Estão no teatro. Acredito que seja também uma busca por eles que faz o público sair de casa”, disse Torloni. Na comédia, dois casais de gerações diferentes se encontram num quarto de hotel, onde são revelados seus segredos mais recônditos. O espetáculo segue em cartaz no Tuca, em São Paulo, em 2025.
Como se tornou frequente, a abundância de monólogos na programação abarcou uma diversidade de gêneros. Os dois destaques, de todo modo, têm teor político. Logo no início do ano, Andrea Beltrão encarnou a advogada pernambucana Mércia Albuquerque, em “Lady Tempestade”, escrita por Silvia Gomez e dirigida por Yara de Novaes. Apresentado no Teatro Poeira, em Botafogo, na zona sul carioca, e mantido por Beltrão e sua amiga, a também atriz Marieta Severo, o espetáculo resgatou a história de uma defensora de presos políticos, durante a ditadura militar. Um ano depois da estreia, “Lady Tempestade” retorna, em janeiro, ao Poeira.
“A gente não caminhou no Brasil, e isso passa pela ausência de reparação”, afirmou a atriz. “Não fomos ao tribunal e não punimos quem matou e quem torturou.” Também dirigida por Novaes, a atriz Débora Falabella deu vida ao texto de “Prima Facie”, escrito pela australiana Suzie Miller, que impressionou as plateias do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde já tem data para uma nova temporada, no Teatro Vivo, em fevereiro do ano que vem.
O tema é a violência contra mulher. Falabella vive a também advogada Tessa, que tem, entre seus clientes, acusados de agressão sexual. Tessa entra em crise ao rever os seus princípios éticos.
Na seara dos musicais, Cláudia Raia mobilizou o público do gênero com a megaprodução de “Tarsila, a Brasileira”, que rodou o país. Ao repassar a história de vida da maior pintora do país, com texto e letras originais, a atriz afirmou ter contribuído para o surgimento de um musical mais brasileiro, e menos dependente dos códigos da Broadway.
Em cena, contracenou com seu marido, Jarbas Homem de Mello, que foi Oswald de Andrade. Na ocasião, Raia voltou a defender as leis de incentivo à Cultura, em especial a Lei Rouanet, sem a qual, diz ela, seria impossível entrar em cena.
Num contraponto, textos clássicos também tiveram espaço garantido na cena, sobretudo pela atuação do Grupo Tapa. A tradicional companhia, liderada pelo diretor Eduardo Tolentino, montou “Tio Vânia”, do dramaturgo russo Tchékhov. Ali, o espectador pôde se deparar com raridades, nos dias atuais: elenco numeroso, vozes projetadas sem uso de microfone, espetáculo com mais de uma hora de duração. Em suma, requisitos para que a obra pudesse ganhar a sua dimensão filosófica, como a boa literatura russa, sem perder a ironia e certa leveza, atribuída pelas canções.
“Existe uma coisa chamada Projac que criou um fenômeno de peças de celebridades. A primeira coisa que te perguntam lá é qual é o global no elenco. Se você não tiver um global, não consegue divulgar”, afirmou Tolentino. “O Projac é um projeto ideológico.” A vocação à diversidade de temas da cena paulistana foi sintetizada, em março, durante a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp.
Ao questionar o que é teatro, a mostra, com atrações de países como Síria, Coreia do Sul e África do Sul, realçou a última peça da Ultralíricos, companhia brasileira liderada por Felipe Hirsch. Em uma sequência de jogos dramáticos, o diretor abordou a inutilidade da arte, irritando o público mais tradicional, em alguns momentos. Num deles, o ator Danilo Grangheia repetia, por infinitas vezes, a mesma frase. A cena era, de fato, perturbadora. Noutra esquete, Hirsch elogiou o nonsense ao homenagear uma das passagens mais célebres de “Bang Bang”, filme rodado em 1971 pelo diretor Andrea Tonacci.
Em “Fantasmagoria IV”, o teatro teve a função de suscitar paixões. Como mostrou a uma reportagem da Folha, a representação teatral tem uma ligação com a teoria da psicanálise. Neste ano, o público lotou as salas, que traziam peças com a temática, como “A Última Sessão de Freud”, “Freud e o Visitante”, “Sra. Klein” e “Homens no Divã”. “O espectador vê em cena os crimes que gostaria de cometer”, disse o psicanalista Antonio Quinet. “Teatro e análise são duas maneiras de pôr em cena o inconsciente.”
O ano consagrou ainda duas personagens centrais do teatro brasileiro. Fernanda Montenegro, de 94 anos, voltou aos palcos com a sua leitura da obra da filósofa existencialista francesa Simone de Beauvoir. As apresentações, sempre lotadas, culminaram numa leitura histórica, realizada para 15 mil pessoas, no Auditório do Ibirapuera. Um momento apoteótico condizente com a trajetória de Fernanda, que descobriu em “A Cerimônia de Adeus”, um livro de eterno retorno.
“O ano 2024 é já de muitos compromissos de trabalho. A propósito dos meus 95 anos chegando, repito, como lema, é com muita coragem que ainda estou aqui”, disse Fernanda, antes de estrear a leitura. Por fim, Nathalia Timberg, antiga companheira sua dos tempos do Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, foi homenageada ao trabalhar em “A Mulher da Van”, texto do autor inglês Alan Bennett, com direção de Ricardo Grasson. Timberg interpretou Mary Sheperd, moribunda que atrapalha a vizinhança de um bairro, em londres. Ela afirmou ser a sua última peça de sua carreira.
“Diante de estar atingindo quase o centenário, percebo o mundo de forma cada vez mais ampla e profunda. A idade avançada me dá a percepção de quanto tempo a mais eu precisaria para abranger tudo o que pressinto, tudo o que gostaria de perceber melhor”, contou Timberg.” Se a vida é um enigma em si, você ter consciência de estar vivendo esse enigma já é um enriquecimento enorme.”
CULTURA > Museu Histórico Nacional fecha para modernização do sistema elétrico
O Museu Histórico Nacional (MHN), na Praça Marechal Âncora, no centro histórico da cidade do Rio de |Janeiro, vai ser fechado ao público para obras de modernização do sistema elétrico, a partir desta segunda-feira (9). A previsão é de que a reforma seja concluída em outubro de 2025.
“Ao longo dos próximos meses, vamos divulgar nossos programas e ações de comunicação, educação e pesquisa que vão garantir a sequência dos nossos trabalhos e serviços”, diz texto publicado no site da instituição.
O objetivo, de acordo com a direção da instituição, é implementar um projeto de climatização das áreas de exposição, que proporcionará maior conforto para as pessoas que vão visitá-lo, além de oferecer melhores condições de conservação para as coleções.
Segundo o MHN, a iniciativa vai proporcionar mais segurança, sustentabilidade e eficiência ao Museu Histórico Nacional, garantindo a continuidade e melhoria dos serviços oferecidos aos cidadãos de hoje e às futuras gerações de brasileiros que encontram na instituição um espaço de referência para o reconhecimento e valorização da diversidade, memória e identidade nacionais.
Inauguração
Criado em agosto de 1922, voltado para história do Brasil, o museu ocupa todo o conjunto arquitetônico da antiga Ponta do Calabouço, constituindo-se em um dos mais importantes museus históricos do país e um centro gerador de conhecimento nas áreas da museologia e do patrimônio cultural.
Abrigou o primeiro curso de Museologia do país, criado em 1932, e que funcionou nas dependências do museu até 1977, tornando-se uma referência para a constituição de outros importantes museus brasileiros.
Outra importante instituição que começou no Museu Histórico Nacional foi a Inspetoria dos Monumentos Nacionais, criada em 1934, que transformou-se mais tarde no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Todo o conjunto arquitetônico e as coleções do MHN foram tombados em 2009 pelo Iphan.
CULTURA: VITÓRIA DA CONQUISTA-BAHIA > Filme “Alice Lembra” leva magia do cinema ao sertão baiano
Imagine uma cidade cenográfica erguida em meio à vegetação da caatinga, no sertão baiano, com direito a banco, cartório, presídio, lojas, casas e até um palácio. No entorno desse cenário, dezenas de profissionais do audiovisual se movem para fazer uma nova produção cinematográfica do interior brasileiro ganhar vida. O elenco, tão diverso quanto o Nordeste que bem os representa, se prepara para entrar em cena. Silêncio no set. Ouve-se o som da claquete. Mais uma gravação de Alice Lembra acaba de começar.
Essa é a magia do cinema que se faz ainda mais presente no município de Vitória da Conquista (BA) desde o dia 19 de novembro, quando começaram as filmagens do segundo longa-metragem infantojuvenil escrito e dirigido pelo cineasta Daniel Leite Almeida. Produzido pela Ato3 Produções, o filme é uma continuação do premiado musical Alice dos Anjos, vencedor de seis candangos no 54º Festival de Brasília e finalista do 22º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.
Em uma nova jornada pelo fantástico País das Macaúbas, Alice, agora uma pré-adolescente com trezes anos de idade, irá descobrir que a memória é um poderoso instrumento contra as opressões. Na inédita sequência que fará parte de uma trilogia, ela precisará lutar contra uma doença que acomete seus amigos, a Síndrome do Esquecimento, e uma tentativa de golpe de Estado na chamada Cidade Modelo, a capital do país encantado que ela precisará desbravar.
Livremente inspirado no universo de Lewis Carroll, autor do clássico Alice no País das Maravilhas, Alice Lembra traz novamente para a produção audiovisual nacional, de forma lúdica e poética, o protagonismo do sertão e do sertanejo, da cultura popular, dos povos tradicionais e do interior baiano. E se no primeiro filme a aventura da personagem em busca da própria identidade se dá a partir do encontro com a coletividade, desta vez, a história traz para o primeiro plano a busca por sua ancestralidade.
“A identidade coletiva não responde à totalidade daquilo que somos. Então, eu percebi que, além de sujeitos sociais e coletivos, nós somos sujeitos individuais, com as nossas subjetividades, e somos sujeitos carregados de memória e ancestralidade. Cada uma dessas identidades – a coletiva, a individual e a ancestral – estão intrinsecamente ligadas. E aí eu quis abordar isso em três filmes, de modo que cada filme trouxesse enquanto tema central uma dessas três identidades, que, no caso de Alice Lembra, é a identidade ancestral”, explica o diretor, Daniel Leite Almeida.
Segundo ele, esta será a obra que irá encerrar a trilogia, apesar de ser gravada antes mesmo do segundo filme da saga. O livro “Ideias para adiar o fim do mundo”, de Ailton Krenak, foi uma das referências utilizadas pelo cineasta durante o desenvolvimento do roteiro. “Acho que todos os três filmes têm uma questão muito pessoal presente e, em Alice Lembra, é o resgate de uma memória acerca da minha própria origem. Eu sempre soube que tenho origem indígena, minha avó sempre me contava que o avô dela era indígena, mas ela nunca me falou qual era a etnia. E nos últimos anos isso tem me inquietado porque eu não saber essa etnia é o resultado de um apagamento identitário. Então, enquanto faço o filme, é como se eu estivesse cavucando esse meu não-lugar, esse esquecimento, essa ausência”, complementa Daniel.
A personagem que encarna essa busca apontada pelo diretor coloca também o protagonismo negro em evidência no filme. Alice será mais uma vez vivida por Tiffanie Costa, que tinha apenas 8 anos quando o primeiro longa foi gravado. Moradora da pequena cidade interiorana de Malhada de Pedra, ela foi projetada em sua comunidade com Alice dos Anjos, recebendo homenagens e emoldurando sonhos que antes eram difíceis de serem alcançados em um contexto marcado pela escassez de produção artística.
“Quando eu estou no set, eu me liberto. Sou eu mesma. Eu estou ali atuando, e mesmo assim não tenho vergonha de nada. Eu simplesmente dou tudo de mim e mostro que eu realmente nasci para atuar, para estar envolvida na arte. E toda vez eu penso que um dia pode ser eu sendo a diretora de um filme ou sendo outra vez uma atriz principal. É algo que realmente me encanta”, conta a atriz, agora com 13 anos.
Mais de 200 pessoas estão envolvidas na produção do longa, que conta com uma equipe diversa, composta majoritariamente por pessoas negras, além de profissionais indígenas, atuantes seja nas áreas técnicas, seja no elenco ou figuração. O principal set de filmagens é a Casa dos Carneiros, fundação localizada no distrito do Pradoso, zona rural de Vitória da Conquista. “É o lugar que nos permite fazer uma imersão nesse sertão mágico de Alice”, revela o diretor. E é nesse mesmo local que o departamento de cenografia trabalha, desde outubro, na construção da Cidade Modelo. São cerca de 20 pessoas envolvidas só na equipe de arte, que abarca outros departamentos como maquiagem, figurino e produção de objetos.
Para o diretor de arte, Saulo Goveia, a construção da Cidade Modelo, enquanto um dos principais cenários do filme é, sem dúvidas, um dos principais desafios da produção. O processo criativo que deu origem à concepção visual desse ambiente, central para a história, teve início mesmo antes da etapa de pré-produção do filme. E quem assumiu o desafio de chefiar a equipe responsável por concretizá-lo foi o cenógrafo Gilsérgio Botelho, membro da Cia Operakata. “É uma equipe dos sonhos, que vem realizando um trabalho primoroso, com uma excelência artística e um padrão técnico muito elevados”, afirma Saulo.
Outras referências da cena artística regional também fazem parte do longa, como o compositor e maestro João Omar, responsável pela trilha sonora, ao lado do artista tupinambá Rômulo Guajupiá. Atores e atrizes locais como Ricardo Fraga, Dayse Maria e Neto Cajado, entre outros, retornam aos seus personagens do primeiro filme da trilogia. Já Fernando Alves Pinto volta a interpretar o Bode Preto. Além disso, há novamente a participação do Pajé Aripuanã, indígena tupinambá que esteve em Alice dos Anjos, trazendo toda a sua sabedoria ancestral, que agora ganha ainda mais destaque em Alice Lembra. (COM BS)
VITÓRIA DA CONQUISTA-BAHIA > Cultura nerd e ritmos percussivos são temas de concerto gratuito do NEOJIBA
Evento acontece nesta quarta (27), às 18h30, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima
A programação de fim de ano do Núcleo NEOJIBA de Vitória da Conquista terá início nesta quarta-feira (27), às 18h30, com um concerto especial no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Com entrada gratuita, o evento contará com a Banda Sinfônica e o Grupo de Percussão do núcleo, apresentando um repertório que percorre os universos da cultura nerd e dos ritmos percussivos.
A lista de músicas inclui temas de grandes produções audiovisuais como a saga Star Wars e o filme A Lista de Schindler, além de composições percussivas autorais como a “Pandeirata”, do professor e músico instrumentista Anderson Petti. “Carinhoso”, de Pixinguinha, e “Pedaços do Céu”, de Waldir Azevedo, também fazem parte do repertório.
Os ingressos serão disponibilizados na bilheteria do Centro de Cultura meia hora antes da apresentação. O evento marca a abertura de uma série de concertos de fim de ano do NEOJIBA em Conquista. A programação contará ainda com um Recital de Cordas Agudas, no dia 03/12, e um musical inédito que irá reunir coro e orquestra do núcleo, no dia 12/12.
Sobre o NEOJIBA
Criado em 2007, o NEOJIBA (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia) promove o desenvolvimento e integração social prioritariamente de crianças, adolescentes e jovens em situações de vulnerabilidade, por meio do ensino e da prática musical coletivos. O programa é mantido pelo Governo do Estado da Bahia, vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, e gerido pelo Instituto de Desenvolvimento Social Pela Música.
Em 17 anos, o NEOJIBA atendeu, direta e indiretamente, cerca de 36 mil crianças, adolescentes e jovens entre 6 e 29 anos. Atualmente, o programa beneficia mais de 2.300 integrantes diretos em seus 13 núcleos e 6.000 indiretos em ações de apoio a iniciativas musicais parceiras.
Foto: Thiago Gama
CULTURA > Governador Jerônimo Rodrigues prestigia Semana da Cultura Evangélica em Vitória da Conquista
O governador Jerônimo Rodrigues prestigia, neste sábado (9), a partir das 18h30, a 18ª edição da Semana da Cultura Evangélica de Vitória da Conquista. Com o objetivo de promover a união entre as igrejas e fortalecer os valores cristãos, o evento, que teve início na sexta-feira (1º), está sendo realizado no Espaço Glauber Rocha, pela Associação de Pastores de Vitória da Conquista (APEVIC), com apoio do Governo do Estado.