Às veze, paro e fico a pensar sobre o ser humano. Praticam violência contra as próprias esposas, filhos, pais, irmãos e por aí vai. É uma absurdo a gente conviver com esse tipo de comportamento nada humano, A propósito, dá para entender grande parte dos casais? A alienação da família é patente, já que o celular tornou-se o grande vilão do cotidiano. É importante o avanço tecnológico, mas não se pode negar que o desconhecimento das pessoas quanto esse avanço destrói, corrói as famílias nas suas estruturas, na sua essência. Pois é, o mais importante é o celular, suas informações, seus conteúdos desatinados. Na verdade, não sabemos aonde vamos parar com esse embalo da tecnologia e, em contrapartida, o despreparo do ser humano. Resta a todos nós viventes, o pedido de clemência ao Criador.
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“SÓ MORREREI DEPOIS DE VER PELÉ JOGAR”
Por Walmir Rosário*
O brasileiro sempre foi apaixonado pelo futebol. Não conheço nenhuma pesquisa que nos coloque no topo da pirâmide entre os vários países do mundo, mas nem precisa, somos nós e pronto. Nenhum povo alcançou os nossos feitos em copas do mundo, temos resultados fantásticos nos campeonatos mundiais de clubes e mais que o valham.
E nos apaixonamos por um clube, devotando a ele toda a nossa paixão. Pra cada um de nós o meu time é o melhor e só não ganhou o campeonato por fatores extracampo, como as decisões dos árbitros de futebol, cujas coitadas das mães são xingadas por qualquer motivo fútil. Pouco interessa se os diretores não contrataram os melhores jogadores e sim pernas de pau.
Mais que torcer por um time, alguns se apaixonam – no bom sentido – pelos craques, e isso tenho como provar desde meus tempos de menino lá pras bandas do ainda bucólico bairro da Conceição, em Itabuna. Tínhamos os nossos craques, jogadores dos times amadores e da imbatível Seleção Amadora de Itabuna, mas também devotávamos nosso amor pelos craques do Rio de Janeiro e São Paulo.
E um desses era o Tio Coló, que não era bom de bola, mas gostava de jogar com estilo. Estilo, aliás, era com o próprio: não dispensava uma calça de linho passada a ferro com goma, um sapato do tipo mocassim branco, camisa esporte listrada, fino violonista. No máximo se permitia andar com sandália japonesa, a legítima, nas cores preto e branco, como do Santos de Pelé.
E ele era um exímio motorista, escolhido a dedo por grandes empresários para viagens, muita delas voltadas para jogos de futebol. Segurança total com o Tio Coló ao volante. E quando o assunto versava sobre futebol ele cortava qualquer conversa e dizia em alto e bom som: “Só morrerei depois de ver Pelé jogar”. Já era um mantra incorporado ao tema futebol.
Pois bem, lá pros idos de 1964, se não me engano, chega a grande oportunidade para o Tio Coló realizar seu eterno desejo, com a notícia dada na resenha esportiva da Rádio Bandeirantes de São Paulo, informando que o imbatível Santos viria a Salvador enfrentar o Bahia. Foi um alvoroço no salão de sinuca de Ismael. Seria agora ou nunca para Tio Coló.
Na mesma hora começaram a planejar a viagem entre os presentes. Tio Coló, o mestre de obras da prefeitura, Antônio Cruz, o comerciante Nicanor Conceição, o dono de bar Teles, o comerciante de leite e cana Nivaldo (Cacau). O próximo passo seria alugar um carro e embarcarem para a capital baiana e assistir ao jogo com o Rei do Futebol, Pelé.
E no próprio bairro da Conceição alugaram um carro de praça (táxi), o jipe de Eliseu, também interessado em assistir à partida. Na data marcada partiram para Salvador onde realizariam o sonho, antes considerado impossível. E as estradas daquela época eram horríveis, de terra batida até Jequié, e daí pra frente o asfalto da Rio-Bahia e da BA- 324 até a capital.
Chegaram um pouco antes do início do jogo, e torceram por Pelé, que marcou os dois gols do time santista. Partida encerrada, eles tomaram a estrada de volta e ao chegar a Feira de Santana Eliseu se sentia cansado. O jeito era passar o volante para o colega Tio Coló. E esse era um gesto ímpar, pois o jipe de Eliseu ninguém dirigia. E Tio Coló seria o primeiro a ter o privilégio.
Tomaram um café e partiram, passaram por Feira de Santana, e tocaram pela famosa Rio-Bahia. Madrugada pela frente, muitos caminhões e ônibus na estrada tornavam intenso o movimento. Lá pelas tantas, um caminhão tenta ultrapassar outro e dá de cara com o jipe que conduzia nossos torcedores que voltavam pra casa.
O choque foi inevitável e o caminhão atingiu o jipe do lado esquerdo. Rodovia interditada por causa do acidente os passantes iniciaram o atendimento aos seis ocupantes do jipe, todos bastante machucados e iam sendo levados para o hospital mais próximo. Na realidade, somente quatro puderam ser atendidos: Antônio Cruz, Teles, Nicanor e Nivaldo Cacau.
Na direção Tio Coló não resistiu ao impacto da colisão e morreu no local. O Mesmo destino teve Eliseu, o proprietário do jipe, que se encontrava sentado logo atrás do banco do motorista. Assim que a notícia chega a Itabuna, se instala um clamor no bairro da Conceição, que passa a chorar seus mortos e feridos.
Acredito que, em relação ao Tio Coló, a profecia foi feita: morreu exatamente após ter assistido jogar o seu grande ídolo, Pelé, o Rei do Futebol. Nunca mais um solo de violão do Tio Coló, que sempre era lembrado quando o assunto no salão de sinuca de Ismael era o futebol. É triste entrar para a história por sua morte, pois todos queriam que ele ressaltasse sua alegria ao ver Pelé jogar. E logo mais, em 1965, Pelé jogou em Ilhéus, pertinho de casa.
*Radialista, jornalista e advogado.
MARLI GONÇALVES > Não chama a polícia…
Não chama a polícia. Ela pode apavorar, te matar, te ferir. Não sei se é um surto, se são ordens ou desordens, mas estes últimos dias fizeram lembrar dos piores tempos que já vivemos sob o mando de militares cheios de insígnias e ódios, com o descontrole geral e um absurdo número de casos de despreparo e violência desmedida
Fosse só em São Paulo, o arremesso da ponte, o menino que roubava sabão e tomou 11 tiros pelas costas de um “puliça” que decididamente não devia estar trabalhando; idosa ferida, sangrando, junto com a família espancada dentro de sua casa invadida por uma tropa sem mandado; os bailes funks parados à base de porrada, sprays de dominação gasosa, cassetetes vibrantes, chutes e balas (de revólver, esclarecendo aos que conhecem gírias) para tudo que é lado. No transporte metropolitano, o homem agarrado, chutado, asfixiado, torturado, arrastado, e arrastado ainda pelo chão, morto. No Rio de Janeiro, tiros voadores, crianças que brincavam em praças sendo transferidas para brincar no céu …
Tudo filmado, registrado, mostrado em detalhes, vários ângulos, seja por câmeras de segurança ou por vizinhos corajosos, cenas repetidas dia e noite nos telejornais, discutidas, analisadas por especialistas, blábláblá de tudo quanto é lado nas redes sociais. Mas ainda piora quando a gente vê as tais autoridades e superiores com cara de tacho tentando se explicar para não cair, como já deveriam ter caído, e que sempre acabam é tentando justificar e salvar suas próprias peles. A demora em tomar alguma atitude, a tal justiça morosa. Sempre escapa uma informação que a gente não tinha, até porque são tantos os casos que não conseguimos acompanhar. No meio disso tudo sabemos, por exemplo, que o PM que deu um tiro no peito do jovem médico sem camisa que corria dele na escadaria de um hotel continua solto, nem afastado do trabalho foi.
Aí, por aqui temos um governador “dupla face”, que vira o rosto endurecido para o lado que o vento melhor toca. De manhã diz uma coisa, se desdiz se pego no flagra, diz que não disse, ou não diz mesmo, nem responde, e aparece logo depois para anunciar que mudou de ideia. Que, tadinho, só agora está mais esclarecido sobre a importância do uso de câmeras, câmeras essas que pretendia pudessem ser desligadas pelos policiais nas ações. Não sei quem é, mas adoraria aplaudir muito o repórter que o enfrentou quando tentou desconversar de uma pergunta. Está faltando esse tipo de coragem real na cobertura de imprensa: perguntar, insistir, investigar, confrontar.
(Pausa para pedir desculpas pelo mau humor, mas a sucessão de horrores está mesmo muito pesada)
Aí vem mais um acaso ao conhecimento: o da mãe folgada dentro do avião que queria que a moça cedesse a janela para o filhinho dela – que coisa fofa! Ah, e ainda acusou a moça de falta de empatia. Não se aborreçam comigo, mas lembrem que desde sempre falo abertamente do assunto. Não tenho filhos e sei o quanto bate preconceito sobre isso, como se mulheres mães fossem mais mulheres que outras. Desculpe aí, hein? Mais aplausos, desta vez para a moça que não arredou pé do seu lugar e que ainda vai poder vencer um bom processo por uso de imagem, fora o mais de um milhão de seguidores que ganhou do dia para a noite. Admiro sua calma. Rezo para que situações como essa se deem bem longe de mim. Fora as dúvidas que o caso ainda suscita: porque a tal mãe só pediu a ela? Que eu saiba o avião tem um monte de janelinhas com marmanjos como vemos no vídeo que circulou. Cadê a tripulação para interferir? Porque alguém em plena consciência pode ainda achar que ela deveria ter cedido o lugar para o birrentinho?
Está todo mundo alucinando, mesmo, de verdade? Não é impressão? Se a gente não pode mais chamar nem a polícia, como é que fica?
Marli Gonçalves – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
Artigo publicado originalmente no Diário do Poder em 09.12.2024
MARLI GONÇALVES > Uns patetas e trapalhões
Os nossos patetas e trapalhões não são em nada divertidos como o trio e o quarteto de outrora que tanto nos alegravam. Embora possamos rir desses também, e alto, agora que conhecemos detalhes absurdos, o assunto seja bem sério, esse monte de gente ruim reunida para novamente abalar e golpear o país.
São, como se pode dizer? – um grupo de patéticos, com farda e sem farda. Durante os anos que estes estiveram no governo os mais atentos já puderam acompanhar a rápida evolução de suas aspirações, e que agora se mostram como foram ainda muito mais perigosas e o risco que passamos de ter nova escuridão. Eram reuniões, falas no cercadinho, muitas ações e omissões, tramoias. Eles chegaram ao poder em 2018, mas ali já carregavam suas malas de mentiras, a fórmula da guerra digital, seus planos de melar votações. Penso que nisso a pandemia nos salvou, fez com que se atrasassem, e lhes deu muito trabalho, mau humor. Não tem como eximir o ex-presidente de nada. Tudo o cercava, acompanhava, precisava de seu aval. Tudo tramado bem perto dele, nas salas e cargos com os quais abrigava e alimentava tanta gente ruim. Agora tem aparecido com cara de Recruta Zero diante do General Tainha, olhar assustado de quem se viu pego na botija, como se falava antigamente.
Temos de nesse momento dar mesmo graças porque foram e são – e serão sempre – patéticos, atrapalhados, néscios, embrulhados. A coleção de adjetivos atravessa continentes para nomear essa turma que pensou – e até conseguiu em alguns momentos – abalar o país, além da nossa saúde mental e física. São criminosos travestidos de patriotas, com ideias e tentativas assassinas como os planos mais do que descobertos, impressos (eles escreveram, imprimiram cópias nas máquinas do Palácio do Planalto!). O chamaram, vejam só, de “Punhal Verde e Amarelo”; previa o uso de explosivos e venenos (não consigo parar de pensar nesse detalhe, como fariam, como se daria) para matar o presidente eleito, Lula, seu vice, Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes, que chegaram a seguir bem de perto para capturá-lo – esse eles queriam matar pessoalmente, talvez torturar, tal é o ódio que lhes inspira. Tudo era para ser feito até o fim de dezembro de 2022. Não rolou. Flopou. E, se lembram, logo o “chefe” correu para uma temporada nos Estados Unidos, de onde acompanhou a balbúrdia feita dias depois da posse de Lula.
Agora, essa semana, finalmente saiu a lista de 37 indiciados pela Polícia Federal no inquérito do 8 de janeiro de 2023, com aquelas invasões destruidoras, falas e atos anteriores, posteriores, e claro que os cinco detidos da operação que apontou o punhal dos patetas e trapalhões também estão nessa lista tenebrosa que esperamos seja levada adiante para a punição rigorosa. Embora, claramente, mesmo tão grande, nessa lista esteja faltando “uns” – vamos pegar nossas antigas lembranças e anotações e preencher os faltantes, suas boiadas, suas armas, seus coturnos, aqueles que passaram pela Saúde, os do Congresso Nacional, os que lideraram e incitaram tanta violência. A esperança é a última que morre e esses uns ainda deverão integrar o rol dos celerados que vêm sendo apontados.
Pode ser que agora até o STF pense melhor, reveja sentenças, libere e livre a cara daqueles muitos pobres coitados civis que estavam nas ruas de amarelinho. Entre eles, até bem velhinhos e velhinhas que viram ali um passatempo e se divertiram muito “fazendo amigos” nos acampamentos diante de quartéis, depois sem condições para fugir do país como muitos, e que já puxam cana brava, esquecidos, décadas de condenação nas costas. Talvez mereçam só puxões de orelha, ficar sem sobremesa, catar coquinhos.
Marli Gonçalves – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
Ney Lopes > Análise: não houve tentativa de golpe em 8 de janeiro
No final da tarde do feriado da consciência negra, a mídia nacional agitou-se com manchetes, que informam:
PF indicia Bolsonaro, Braga Netto, Heleno e mais 34 por golpe de Estado.
Relatório final com mais de 800 páginas do inquérito das Operações Tempus Veritatis e Contragolpe imputa crimes com penas de até 28 anos de prisão ao ex-presidente, seus aliados e militares de alta patente; PF detalha cronologia de eventos, em 2022, ligados à tentativa de manter o ex-presidente no poder, com plano de assassinato do presidente
Lula, do vice Geraldo Alckmin e ministro Alexandre de Moraes.
Volta ao debate, caracterizar o episódio de 8 de janeiro em Brasília, como tentativa de golpe de estado.
Como sempre, o material será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação.
Caberá procurador-geral da República, Paulo Gonet, oferecer ou não denúncia à Corte.
Interlocutores do procurador-geral dizem que há a possibilidade de uma denúncia única ser apresentada, reunindo os elementos sobre a tentativa de golpe, fraude no cartão de vacinação, venda ilegal de joias, ataques a instituições e espionagem ilegal de adversários.
A justiça brasileira neste caso passará por uma prova de fogo.
Terá que manter-se isenta na apreciação dos fatos conhecidos, até agora.
É pacífico no direito brasileiro, que não é suficiente para caracterizar um golpe de estado, o início de um protesto político (aliás, condenável por ter sido vandalismo) como o ocorrido em Brasília, em 8 de janeiro de 2024.
Para caracterizar o golpe teria que ter existido pelo menos um grupo armado, estruturado, organizado e fortemente armado “a ponto de colocar em risco a defesa da ordem
constitucional e do regime em vigor pelas forças de segurança e defesa institucional instaladas”.
O artigo 359-M do Código Penal define golpe de estado como crime, punido com reclusão de quatro a 12 anos, assim entendido, como “tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído”.
O crime de golpe de Estado pune o agente que tenta destituir do poder quem lá chegou legitimamente, através de ações concretas e não apenas hipóteses, ou pensamentos.
Nesse sentido, golpe de Estado pode ser definido como todo movimento violento de desestabilização da ordem e do regime legal e legitimamente instalado, contra a ordem constitucional, com o fim de impor um novo governo, liderança ou regime político.
O golpe em si, não é um regime político, não é um governo, mas um movimento violento de contestação da ordem que prepara o caminho para outra forma de governo ditatorial.
O golpe é executado, regra geral, por aquelas pessoas inseridas no próprio Estado, como os burocratas e os militares.
Portanto, golpe de Estado somente será a ação organizada e estruturada de forma hierárquica, com divisão de tarefas, financiamento adequado e armamento capaz de se contrapor à estrutura de segurança interna e externa do país, leia-se, polícias civil, militar e federal, guardas municipais, segurança interna de prédios públicos e Forças Armadas.
Por outro lado, as pessoas que adentraram e destruíram as instalações dos três poderes não estavam fortemente armadas (dispunha pedras objetos cortantes, porretes etc.), como necessário para um golpe de estado.
Querer dar o golpe de Estado, não basta.
“Cogitationis poenam nemo patitur”
Ninguém é punido pelo pensamento, princípio de que uma pessoa não pode ser punida apenas por seus pensamentos ou intenções.
Ou, como falam os italianos -pensiero non paga gabella (o pensamento não paga imposto ou direito).
Sabe-se que para um golpe de estado, Bolsonaro teria que contar com o apoio dos Governadores e Prefeitos em sua esmagadora maioria, o que aconteceu em 64 e seguramente não aconteceria agora.
Observe-se que a forma dispersiva como Bolsonaro se comporta demonstra que não havia uma estrutura golpista montada capaz de gerar responsabilidades jurídicas.
O silencio de Bolsonaro após ser derrotado, e a viagem para os EUA demonstram que ele não tinha intenção alguma de tomar o poder e dar um golpe.
Ainda do ponto de vista jurídico, cabe invocar o art. 17 do Código Penal sobre o crime impossível, que não pune a tentativa:
“Art. 17 – Não se pune a tentativa quando por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime”.
A análise ora feita dá os sinais de que, a PF cumpriu o seu dever, ao concluir o inquérito, com o seu entendimento final.
Entretanto, caso na justiça uma denúncia seja formalizada por tentativa de golpe de estado, contra o ex-presidente, seus aliados e militares de alta patente, a ordem legal e constitucional do país estará sendo substituída pela vingança e a perseguição política.
Se isso ocorrer, tempos difíceis estarão por vir.
Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente da CCJ da Câmara Federal – ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, procurador federal – nl@neylopes.com.br – blogdoneylopes.com.br
ANÁLISE > O suposto “golpe” que nem Moraes acredita ser verdade, e muito menos a população
Nos últimos tempos, temos assistido a uma série de investigações e indiciamentos direcionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sob a alegação de um suposto plano de golpe de Estado.
No entanto, é evidente que essas investigações carecem de credibilidade e são parte de uma estratégia maior para desmoralizar a direita brasileira e desviar a atenção dos verdadeiros problemas que assolam o país.
Desconfiança Generalizada nas Instituições
A confiança da população nas instituições brasileiras está em declínio acentuado. Uma pesquisa realizada pelo PoderData revelou que 70% dos brasileiros desconfiam do trabalho da polícia, incluindo a Polícia Federal .
Além disso, a confiança no Supremo Tribunal Federal (STF) também está abalada, com apenas 22% dos entrevistados afirmando confiar plenamente na atuação da polícia . Esses números refletem uma insatisfação crescente com a condução das investigações e decisões judiciais no país.
Narrativas Absurdas Contra Bolsonaro
Desde o início de seu mandato, Jair Bolsonaro foi alvo de acusações infundadas e narrativas absurdas. Quem não se lembra da polêmica do “leite condensado”, onde tentaram transformar uma compra governamental comum em escândalo?
Ou das acusações de “importunação de baleia”, que beiram o ridículo? Essas histórias foram amplamente divulgadas pela mídia alinhada à esquerda, sempre com o objetivo de manchar a imagem de Bolsonaro e desviar a atenção dos verdadeiros problemas do país.
A Perseguição de Lula e Alexandre de Moraes
O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, têm liderado uma verdadeira caça às bruxas contra a direita. Lula, com seu histórico de corrupção e escândalos, busca desviar a atenção de seus próprios problemas atacando opositores.
Alexandre de Moraes, por sua vez, tem utilizado seu cargo para perseguir adversários políticos, atropelando princípios básicos do Estado de Direito.
Delegado da PF: Militante de Esquerda?
As investigações contra Bolsonaro estão sendo conduzidas por um delegado da Polícia Federal com fortes ligações com o governo Lula. Há indícios de que esse delegado é um militante de esquerda, comprometendo a imparcialidade das investigações. Como confiar em um processo conduzido por alguém com interesses políticos claros?
É evidente que o suposto “golpe de Bolsonaro” não passa de uma narrativa fabricada para perseguir a direita e desviar a atenção dos verdadeiros problemas do país.
As instituições que deveriam zelar pela justiça estão sendo instrumentalizadas para fins políticos, minando a confiança da ppopulação. Inqueritos cheios de abuso de autoridade, que nem mesmo os próprios ministros são capazes de acreditar.
Análise de Leandro Rustcel, Jornalista residente em Brasília.
FONTE: republicanoticias.com
MARLI GONÇALVES > O Coringa-bomba e a semana difícil
Já não bastasse a semana que já vinha estranha aqui e no mundo, de repente mais surpresa, boom!, o homem vestido meio que de coringa se explode, não sem antes explodir deixar outras bombinhas escondidas por Brasília. Até na gaveta que sabia que os policiais procurariam, salvos foram pelo robozinho que a abriu. Fanatismo mata, a gente vem avisando faz tempo.
Uma tosse horrorosa, constante, seca, daquelas que vai sugando a energia. Mais uma praga de saúde que está solta pegando muita gente, e me pegou também. Derrubou. A dor de cabeça estonteante. O cérebro congestionado. Uma semana assim e agora tentando alinhar que não faltaram motivos para somatizar mais ainda e a demora para a recuperação. O noticiário. Daqui, do mundo. A notícia da morte repentina de uma amiga e grande colaboradora, Laurete Godoy, além de uma mulher maravilhosa, a maior conhecedora da vida e obra de Santos Dumont, gentileza e espiritualidade positiva em pessoa. Baque.
Aí, em meio às anunciadas decisões de Trump que já entorpecem o ano que vem quando tomar posse, o desequilíbrio geral, social e econômico da nação, no começo de uma noite que tinha tudo para ser ao menos rotineira, a notícia das explosões em Brasília, o corpo despedaçado diante da estátua da Justiça, o corre-corre. Talvez vocês não tenham noção de como esses acontecimentos abalam a nós, jornalistas, mesmo que não estejamos em meio aos fatos. Por hábito. Deve ser também assim com economistas e os abalos das moedas e bolsas. Dos engenheiros com os desmoronamentos. Dos cientistas ao saber do avanço dos negacionistas. Dos pacifistas com mortes diariamente contadas às dezenas em guerras esquecidas pelos cantos.
Não é de hoje que alertamos que muitas coisas estão fora da ordem, vindas de todos os lados, e de alguma forma praticamente todas ligadas ao que se pode chamar de fanatismo, político, religioso, seja lá sua origem. O exemplo do estranho homem bomba-bombinha, que resolveu deitar o cabelo em uma delas se imolando depois do show não poderia ser mais significativo. Um show premeditado por meses, de alguma forma anunciado sem ter sido levado a sério. Passeando pelos locais mais emblemáticos da Capital Federal com seu chapeuzinho. Tirando e postando fotos sorridentes, historiando seus planos, finalizados com fogos de artificio em noite chuvosa. No qual foi ele a maior vítima, desde sempre. Buscou deixar um papel de figurante, igual à mocinha que participou da cena da novela por segundos e que viralizou, obrigando que a conhecêssemos.
Agora conhecemos o figurante Francisco Wanderley Luiz, o que desejava matar ministros, sua vidinha toda escarafunchada, a família destruída, os amigos pasmos como aquele homem e sua vida comum transformou-se num terrorista fracassado estendido no chão, símbolo do golpismo, da escalada de ódio crescente, dos erros de várias partes da História, inclusive dos poderes e equívocos da Justiça que atacou sem boa pontaria naquele começo de noite. Era uma noite fria e tempestuosa, diria o Snoopy.
Penso que ele nem se atinou, com seu ato embandeirado em verde e amarelo – no calendário que planejou – na grande reunião de líderes mundiais no G20 no Rio de Janeiro, na mesma época. Nem mesmo na data de Proclamação da República, dois dias depois. Seu pensamento estava apenas ali, no alvo que desenhou. Deixou o carro explodir no estacionamento do Congresso. Ponto. Correu para continuar suas traquinagens, gastou seu dinheirinho construindo bombas, alugando um quartinho, um trailer de onde durante meses alimentou seu plano. Estava sozinho nessa? Maluco? Extremista? Ou Coringa tropical? Vamos sabendo mais com o avanço das investigações. O que se tem certeza: mais um fruto do fanatismo que tanto alertamos, crescente, perigoso, e que tem aparecido com frequência, mas só quando estoura.
Na tal semana difícil, contudo, ele explodiu junto outros assuntos importantes como a escala de trabalho que estava sendo discutida, assim como os cortes nos gastos governamentais, e, por incrível que pareça, a outra insanidade do assassinato à luz do dia, na frente do maior aeroporto do país, do delator do PCC, fuzilado, e que acabou fazendo ainda mais uma vítima, um motorista de aplicativo.
O que estamos virando?
Marli Gonçalves – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano, Coleção Cotidiano, Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
Percival Puggina > Barba, cabelo e bigode
No momento em que escrevo estas linhas, Trump conta 72 milhões de votos (cinco milhões a mais do que Harris) e faz maioria na Câmara e no Senado norte-americanos. Na linguagem popular, faz barba, cabelo e bigode, mas não apenas isso, pois viabilizou-me o direito de acompanhar, passo a passo, a mudança da expressão corporal e fisionômica dos repórteres e comentaristas da CNN e da Globo News. Embora assistindo à marcha da apuração pelo canal da Revista Oeste enquanto a noite avançava, de vez em quando ia apreciar o nervosismo tomando conta da militância de estúdio que faz boa parte do – assim dito – jornalismo brasileiro. O recado das urnas proporcionou gradual e fragorosa demolição das expectativas com que o pessoal havia iniciado aquela longa jornada de informação com torcida.
A verdade é que no espaço de meus próprios sentimentos, comecei e terminei a noite com uma sensação ambígua. Impossível negar que a vitória de Trump veio acompanhada de uma certa inquietação. Ainda neste momento, entardecer do dia 6 de novembro, eu me pergunto: “Como é possível que Kamala Harris tenha levado o voto de 48% dos eleitores norte-americanos? Como é possível que mais de sessenta milhões de cidadãos tenham se deixado enrolar nesse discursinho do falso progressismo e do lero-lero woke?”.
Algo muito semelhante, aliás, causou-me, na eleição municipal de Porto Alegre, saber que a candidata do PT, partido que, este sim, experimentou fragorosa derrota nacional na eleição deste ano, recebeu o voto de 40% dos eleitores da capital gaúcha. Como pode?
Praticamente todas as bandeiras que nós, brasileiros, identificamos como sendo “de extrema esquerda”, são importadas dos Estados Unidos sem pagar imposto. Não existe alíquota para lixo ideológico. Então, é de lá que vem essa pretensão de controlar a palavra dos outros, o “lugar de fala”, o que pode e o que não pode ser dito, o que pode e o que não pode ser publicado ou lido e qual a “narrativa” histórica que pode ser ensinada. A extraordinária herança cultural do Ocidente deve ser “desconstruída” para geração de uma sociedade de “flocos de neve” inspirada em ideias de inclusão, acolhimento, aceitação, bondade e justiça. Seus produtos efetivos são as políticas de exclusão, cancelamento, rejeição, ódio, injustiça e cada um no seu quadrado identitário…
Não é isso o que você vê? E provavelmente já percebeu que, levada à sala de aula, a receita acabou com a educação em nosso país, fazendo sumir o futuro de pelo menos duas gerações de brasileiros. O Brasil, hoje, tem uma indústria desatualizada, um setor de serviços empobrecido por carências técnicas e tecnológicas; nossa maior riqueza é a que provém da extração dos recursos que Deus nos proporcionou como dádivas da natureza porque os recursos humanos foram capturados pelo atraso do falso progressismo.
Percival Puggina é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Matéria publicada originalmente no Diário do Poder em 10.11.2024
Estava eu aqui finalizando mais um dia de atendimentos e me peguei pensando sobre uma figurinha repetida em todos os álbuns: o incômodo. Esse parceiro massa, que muitas vezes evitamos, traz consigo uma oportunidade de ouro. E por mais que ele seja um tanto quanto inconveniente, muitas vezes, não se engane; ele não é um vilão.
Na verdade, meu amado leitor, o incômodo é um movimento essencial para que não afundemos na mesmice, no egoísmo, na reclamação, no vitimismo, no conhecido transvestido de confortável, sabe? Ele é o empurrão que precisamos para avançar, amadurecer, crescer, sair do lugar!
Estamos vivendo um momento social que nos incentiva a evitar tudo o que é desconfortável. A busca pelo prazer imediato e pelo conforto constante nos distancia do processo de crescimento. Afinal, crescer dói. Exige enfrentamento, exige a coragem de sair da nossa bolha de segurança e enfrentar nossas crenças e tudo aquilo que a gente achava que nos protegia. Esse incômodo, que parece tão insuportável, nos obriga a olhar para aquilo que não está funcionando e a questionar se estamos vivendo de forma autêntica, inteira, com todo o potencial de vida ou se estamos apenas seguindo o fluxo da maré, seguindo o vento sem pegar o leme e direcionar o barco.
Encarar o incômodo é, acima de tudo, um desejo de mudança. Ao nos permitir sentir e sustentar o desconforto, pagamos o preço de mudar o que precisa ser mudado. Esse processo nos faz sair da superficialidade e da infantilidade emocional, nos coloca em um espaço de responsabilidade e de compromisso com o nosso próprio amadurecimento. E convenhamos que não estamos aqui para viver como espectadores da nossa própria vida, mas para assumir a posição de protagonistas. Não é mesmo, meu amado ser que lê estas linhas aí do outro lado?
Quando fugimos do incômodo, deixamos de explorar nosso potencial, duvidamos da nossa capacidade de aguentar as tormentas e enfrentar as mudanças. Pense nas vezes em que se viu diante de um problema e preferiu se esconder, evitar, ou até mesmo culpar o mundo por suas dores. Agora, imagina como seria se, ao invés disso, você tivesse parado, respirado e encarado o que estava diante de você. Cada desafio é uma oportunidade de superação, de autoconhecimento e de fortalecimento. E, creia, você é muito mais forte do que imagina e o cenário é muito mais caótico na sua cabeça!
A vida não se desenrola de maneira linear, é um fato. E querer uma existência sem altos e baixos é uma perspectiva infantil da vida. O verdadeiro amadurecimento ocorre justamente nos momentos de crise, quando somos obrigados a tomar decisões difíceis e a nos responsabilizar pelo que queremos construir. É pagar o preço mesmo! Ao abraçarmos o incômodo, nos tornamos mais confiáveis, mais confiantes, mais fortes, mais nobres, mais conscientes das nossas capacidades e mais aptos a construir relações e uma vida com significado.
Portanto, meu caro leitor, ao próximo incômodo, não fuja. Permita-se senti-lo, sustente-o! Perceba o que ele te aponta sobre o que precisa ser mudado em sua vida. Porque, ao final, o incômodo é o convite potente para que possamos viver de forma mais consolidada. Ele é a chave que nos tira do egoísmo e do vitimismo e nos empurra para um caminho de propósito, estrutura e serviço. Que tenhamos a sabedoria de amar o incômodo, pois ele é a nossa maior e mais calibrada bússola.
Mariana Benedito – Psicanalista e Psicoterapeuta
Instagram: @maribenedito
Coluna de Mariana Benedito > O valor que não oscila
A vida é cheia de curvas, altos e baixos, dias de grande energia e produtividade, seguidos por dias em que tudo parece pesar mais e render menos. Esse ritmo, tão natural quanto a própria existência, muitas vezes nos leva a cometer um erro comum: medir nosso valor pelas flutuações de nosso desempenho ou pelas nossas emoções. E, eu não sei você, meu amado leitor, mas eu muitas vezes me sinto numa montanha-russa emocional, já pensou se a cada subida ou descida, eu mudasse a percepção que tenho de mim? Meu Deus do céu…
Veja, segure aqui minha mão e me acompanhe no raciocínio. Nesses dias mais desafiadores, a mente tende a ser implacável! Ela sussurra – e às vezes grita – julgamentos severos: “Você não fez o suficiente”, “Já deveria estar mais avançado”, “Não rendeu nada hoje.” A cabeça teima em focar na suposta falta, nas lacunas, e, quando deixamos, cria um discurso interno duro e devastador. É exatamente nesses momentos que o autoconhecimento e a presença tornam-se fundamentais. A mente pode ser uma grande aliada, mas também pode ser como uma tempestade, avassaladora, se a deixarmos fora de controle.
A verdade é que ninguém é produtivo o tempo todo, lidemos com isso. Nenhum de nós está sempre no seu melhor. A natureza humana é cíclica, assim como a própria natureza ao nosso redor – há períodos de florescimento e outros de recolhimento. Nosso valor, porém, não pode depender desses ciclos. E esse é justamente o pulo do gato: saber que o valor pessoal não está nas oscilações da linha da vida. Mesmo que tenhamos um dia “menos produtivo”, continuamos sendo tão valiosos quanto nos dias em que damos o nosso melhor. E isso é mais que um exercício de fé; é um trabalho de presença e autoconsciência. É bem aquela máxima do Orai e Vigiai mesmo!
Ao observarmos nossos próprios pensamentos, precisamos estar atentos a esse tom de voz interno que insiste em nos colocar para baixo quando não atingimos nossas expectativas – e as dos outros, principalmente. Que tal substituir as críticas por uma fala mais gentil? E isso não é nada sobrenatural, nem requer talento ou dons especiais; é hábito. Quando a mente se inclina a comparar nosso presente com uma versão idealizada de nós mesmos, podemos lembrar que cada dia, bom ou não, faz parte da jornada, do nosso aprendizado e desenvolvimento.
Essa prática de observar os próprios pensamentos e reconhecer a tendência a autocríticas exige presença constante e leveza, de certo modo. Porque a mente quer eficiência, quer resultados, quer sucesso visível. Mas a gente não se limita a isso, a vida não se limita a isso. Faz parte da vida aprender, expandir, tentar, errar, reconhecer o erro, seguir adiante.
Quando compreendemos essa diferença, passamos a nos valorizar pela coragem de estarmos em movimento, e não pela intensidade ou velocidade desse movimento. Compreendemos que nosso valor é inabalável, é pleno e completo em cada etapa da vida, seja num dia ensolarado ou nublado. A leveza vem exatamente desse entendimento: nosso valor pessoal é uma constante, uma presença, estável.
Então, da próxima vez que sua mente começar a se inquietar nos dias mais difíceis, lembre-se: você está exatamente onde deveria estar, aprendendo e evoluindo conforme a vida te conduz. Nem todos os dias são de brilho, mas mesmo na calmaria, no silêncio, no ócio, há um propósito. Que possamos seguir com essa leveza em cada passo, sem cobranças desmedidas, apenas nos lembrando que estamos, sempre, em construção.
Mariana Benedito é Psicanalista e Psicoterapeuta
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Marli Gonçalves > Nervos! Os muitos abalos da mente
Nervos! Sempre lembro de uma antiga camiseta que hoje nem sei onde foi parar, pichada com a palavra Nervos! Sumiu, mas era de um momento em que certamente já pensava em saúde mental, nesses tantos abalos que todos sofremos durante a vida e que nos desestabilizam. Ou endireitam de vez. O tema agora está na mesa.
Nervos!
Está aí para todo mundo ver e não são poucos os acontecimentos ligados à saúde mental bastante abalada e dos quais tomamos conhecimento. Chacinas têm sido um aspecto visível, cruel e perigoso quando sabemos bem o número de armas que nos últimos anos se espalharam mais que o próprio rastilho de pólvora, com muitos virando – não ria, não é brincadeira – “colecionadores”, os tais Cacs, totalmente sem controle. Esses dias no Rio Grande do Sul o horror se abateu sobre a família de um deles, esquizofrênico que abriu fogo durante horas, deixando um saldo de mortes, pai, irmão, dois policiais, ele próprio, e muitos feridos. Armas sempre vão parar em mãos (e mentes) erradas. Ou desconhecidas, que surgem em alguma hora H.
Houve tempos passados que foram registradas muitas desgraças “sem querer”. Para garantir a segurança, havia o hábito de pais dormirem com uma arma debaixo do travesseiro. Não foram poucos os filhos, jovens que chegando de madrugada em suas casas, foram mortos no susto dos sonolentos disparadores. A situação levou, à época, ao controle, plebiscito, recolhimento, mas – vocês bem sabem quem – resolveu liberar geral, por achar lindo tudo de ruim dos EUA. Estamos vendo o resultado.
Vivemos tempos estranhos. A tecnologia trouxe avanços, conhecimento, mas também disseminou informações falsas, desejos incontroláveis, redes sociais com propostas e desafios cruéis, individualidade e falta de empatia. Nada me tira da cabeça que o absurdo aumento de feminicídios e violência contra as mulheres passa por isso, por mensagens mal entendidas em invasões de privacidade em celulares.
Todas essas ações geram consequências aos sobreviventes, incluindo nós que acompanhamos o tempo e viramos todos como que veteranos de guerra. Sem qualquer apoio, com medo constante, apreensão, desilusões dolorosas, sentimentos controversos. Nervos! Saúde abalada, inclusive mental. Solidão. Depressão sempre rondando, pensamentos negativos. O suicídio de quem achávamos com vidas perfeitas.
Há em tudo isso, no entanto, um lado positivo: estamos falando mais do que nunca sobre o tema, tornando-o visível e mais urgente. O querido Fernando Gronstein Andrade com seu companheiro Fernando Siqueira trouxe às mostras de cinema um trabalho de ambos nos últimos três anos, Necklace, onde discutem com sensibilidade e propostas, inclusive musicais, a crise de saúde mental que acreditam que o mundo vive atualmente, à angústia de existir, ao aumento da desigualdade social, e ao impacto das redes sociais, segundo eles próprios, vítimas, inclusive de perseguições políticas da direita e ameaças que os fizeram sair do país.
Ainda agora, ao tomarmos conhecimento da morte, aos 79 anos, do grande poeta e acadêmico Antonio Cícero, soubemos de um exemplo de lucidez em meio à tristeza. Com Alzheimer em evolução, decidiu pela morte assistida na Suíça, onde a prática é permitida. Deixou uma carta de despedida, e seus trechos, onde menciona a eutanásia como opção, mostram sua imensidão: “… não me lembro sequer de algumas coisas que ocorreram não apenas no passado remoto, mas mesmo de coisas que ocorreram ontem. Exceto os amigos mais íntimos, como vocês, não mais reconheço muitas pessoas que encontro na rua e com as quais já convivi. Não consigo mais escrever bons poemas nem bons ensaios de filosofia. Não consigo me concentrar nem mesmo para ler, que era a coisa de que eu mais gostava no mundo. Apesar de tudo isso, ainda estou lúcido bastante para reconhecer minha terrível situação” ….
O assunto, enfim, está na mesa. É muito amplo, influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Atinge indiscriminadamente a todos e requer atenção, cuidados, soluções. Compreensão. Tratamento, em suas variadas formas.
Nós, mulheres, aliás, sempre que buscamos – dentro da mais saudável disposição – a liberdade ou mostrar nossos pontos de vista, ou mesmo apenas se mostramo-nos diferentes em algum aspecto, logo somos apontadas como loucas, palavra que ouvimos durante toda a vida, inclusive quando somos interrompidas. Chega. E olha que posso tocar nesse assunto, chamada sempre que fui de maluquinha, por mais seriedade que sempre tenha demonstrado em tudo o que faço.
Marli Gonçalves – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. (Na Editora e na Amazon). Vive em São Paulo, Capital. marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br
ITABUNA > LAMENTÁVEL QUE UM INDIVÍDUO, DESTRUA UM TRABALHO CONSTRUIDO AO LONGO DOS ANOS
Por ornan serapião
É simplesmente revoltante a situação em que se encontra o SINDAPEB – SINDICATO DOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DO ESTADO DA BAHIA, em Itabuna. Foram anos de sacrifícios, trabalho duro para tornar o idoso respeitado nesta cidade e na região. Para tanto, Nilza Coutinho não somente fundou o Sindicato, como o dirigiu por vários anos, tendo, também, dirigido o Conselho Municipal do Idoso de Itabuna por dois mandatos. Época áurea quando o Sindapeb era respeitado por suas ações, com acesso livre no MP, Prefeitura, Entidades de saúde, comércio, imprensa, efetivou-se vários convênios em busca do bem estar de seus associados. Eram dezenas de convênios/acordos, facilitando a vida de nosso idosos. Falo isso, porque participe dessas atividades. Tínhamos o INSS como parceiro, não para trambiques, mas para o respeito aos idosos. Atuamos juntamente com o Ministério publico, a quem eternamente “rendemos nossas homenagens” como ressalta Nilza Coutinho. Mas sinceramente, alguém se elegeu presidente no ano de 2021, em plena pandemia e, de lá para cá, MATOU o sindicato, orgulho da cidade. Não estamos exagerando não: busque um convênio do qual o sindapeb esteja como parte ou qualquer parceria em defesa de seus associados. Mais que isso, homenagearemos com um brinde quem nos enviar ou trouxer aqui em nossa redação o endereço ou mesmo o telefone que se possa contatar com qualquer dirigente do citado sindicato. Mas logo após as eleições, percebemos o que se desenhava para a entidade. Fomos eleito vice-presidente na chapa encabeçada pelo Sr. ANTÔNIO BARROS e, já no dia 19 de novembro daquele ano 2021, entregamos pessoalmente ao aludido senhor nossa demissão(VEJA DOCUMENTO ABAIXO). Hoje, segundo informações obtidas junto à FEASAPEB, os recursos continuam a ser repassados, porém alguém o saca mas nada realiza. TRISTE, MUITO TRISTE A SITUAÇÃO. Até mesmo o mandato do aludido senhor venceu mas ele continua, segundo informações, SACANDO OS RECURSOS DO SINDICATO. Como, não se sabe. FICA O FREGISTRO.
* Ornan Serapião foi um dos fundadores do Sindicato, assessorou diretoria por muitos anos e foi presidente da entidade em dois mandatos.